A Tonga da Miromba do Kabuletê
- 24 de nov. de 2015
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"Você que lê e não sabe
Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe
Você vai ter que viver
Na tonga da miromba do kabuletê (...)"
Nos versos de Vinícius de Moraes e Toquinho, a expressão "na tonga da miromba do kabuletê" significava um xingamento no idioma nagô. Era uma forma de protestar, em plena ditadura, de forma que os militares não compreendessem. Nagô, por sua vez, era a designação dada aos negros, trazidos em massa ao Brasil no século XVIII e início do século XIX, que falavam iorubá, mas não tinham voz. Foram escravizados, e durante anos tal perversão manchou as páginas da história de nosso país.

Fonte: G1
Hoje, esses versos, podem ilustrar essa imagem que choca, revolta e gera uma tristeza profunda, pois percebemos que em pleno século XXI o ser humano ainda é capaz de tão desprezível atitude. Aliás, podemos considerar este imbecil um ser humano?
Tal manchete diz: "Gerente de restaurante da Tijuca é preso no Rio por injúria racial". O nobre trabalhador teria dado uma banana para cada um dos dois entregadores negros em "homenagem" ao dia da consciência negra. O dito cidadão foi preso em flagrante após denúncia das vítimas, mas foi solto após pagar fiança de R$800,00 e responderá em liberdade. Em depoimento, um funcionário do restaurante disse que o gerente é muito "brincalhão" e não fez por mal.
Ah! Tenha dó, né? Brincadeira tem limite e racismo é crime!!!
Por fim, desejo a todos os imbecis que compartilham da mesma opinião deste “cidadão de bem” que vão "viver na tonga da miromba do kabuletê", que cá entre nós, não há de ser um bom lugar não.

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