Geração Ynfeliz
- 18 de nov. de 2015
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"É uma menina muito inteligente!”, dizia minha mãe para suas amigas. E não poderia ser diferente, afinal eu sou da Geração Y. Aquela geração prodígio, que tudo quer e tudo pode. A dona da bola! A geração que tem muita pressa e muita fome, mas eu tenho fome de quê?
“Ela será diferente do resto da família”, insistia minha frustrada mãe para as invejosas amigas. Na estante da vida, na prateleira Profissão, foram armazenados sonhos. Sonhos alheios que eu tinha a missão de realizar. Expectativas foram criadas e a decepção foi proporcional. A queda foi grande. Fratura exposta. Fiquei exposta a cada derrota.
A musa da matemática durante toda a vida escolar ficou com medo da prova de Estruturas na faculdade. A nota 10 tirada no trabalho final de graduação não garantiu o melhor emprego. Trabalhar na USP, com os semideuses da Arquitetura, não conseguiu manter a visão utópica que tinha da profissão. Desiludida então, eu assumi que não sou gênia. Estou longe de ser gênia. Aliás, estou longe dos gênios e nem idade para me enturmar e entrar pro famoso Clube dos 27 eu tenho mais! Fracassei. Estou com 29 e continuo viva. A genial menina da Dona Fátima, na real só é geniosa.
Mestrado, doutorado e o cacete a quatro. Sou especialista em fracassos. Multifacetada e PhD em porra nenhuma. Sou bem sucedida em ser mediana. Revelando meus podres num blog, enquanto no Facebook e Instagram minha vida é editada para que pareça um grande sucesso.

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