Açúcar ou Adoçante? Quero uma pitada de amizade!
- 9 de nov. de 2015
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Escrever sobre o amor é complicado, pois a chance de ser piegas é grande, mas escrever sobre a amizade não é muito diferente. Existe uma tendência de descrever uma relação idealista entre amigos, sempre sorridentes e onipresentes, embalados com o trecho inicial da Canção da América de Milton Nascimento. Só não contam que a única amizade perfeita que existe é com o amigo imaginário da infância.
Mas se não pode arrancar lágrimas de mel do leitor, sobra o quê pra filosofar sobre a amizade?
Sobra a irmandade, pois os amigos são os irmãos escolhidos para a vida. Sobra o canavial de sentimentos ruins aflorados e inconfessáveis, que nos torna vulneráveis e palpáveis. Sobra a rotina, a cara de sono e a convivência. Sobra a distância, a saudade e a compreensão. Sobra uma relação que não é rasa e regada de cachaça nas baladas da vida, é um elo mais profundo que o pré-sal. Sobra a certeza de uma conexão que dura além do parquinho, da festa de debutante, da formatura e além do "bem casado". Afinal, os momentos ruins não preenchem os álbuns de fotografia, muito menos os álbuns do Facebook.
Sobra o “não”, que é duro como uma rapadura. Sobra a verdade, que é bruta, crua, nua e dita pelos melhores amigos, nas melhores horas e da melhor maneira. Sobra a realidade. Ora serena, ora tumultuada.
Então não existe doçura na amizade? Claro que sim, honey! Como já dizia o amado Fabrício Carpinejar: “Amigo é o que fica depois da ressaca. É glicose no sangue.”

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